A importância da matéria orgânica do solo na produção agrícola e o papel dos adubos orgânicos

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Por Mário Carvalho | Universidade de Évora, Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM)

Introdução

A produção agrícola enfrenta riscos associados às variações climáticas e a alterações do mercado, particularmente à degradação dos termos de troca entre o custo dos factores de produção e o preço pago à produção.

Entre as várias estratégias possíveis para a redução destes riscos, a melhoria das funções do solo será certamente uma das mais importantes.

Melhores solos, que permitam maior armazenamento de água e uma melhor drenagem, reduzem o risco que eventos extremos da precipitação têm na produção, seja por escassez seja por excesso. Mas permitem também uma utilização mais eficiente da rega, não só por um melhor aproveitamento da precipitação natural, mas também por menores perdas da água de rega.

Solos enriquecidos em nutrientes permitem reduzir a incorporação de fertilizantes, contribuindo para um aumento da eficiência com que a agricultura utiliza estes factores de produção. Plantas mais vigorosas apresentam menor susceptibilidade a pragas e doenças.

Entre os vários factores que influenciam a produtividade do solo, ou seja, a sua capacidade de fornecer água, oxigénio e nutrientes às plantas, o seu teor em matéria orgânica será o mais importante. É que esta influencia o armazenamento de água útil, melhora a estabilidade da estrutura e, consequentemente a drenagem.

A matéria orgânica do solo é uma fonte de nutrientes essências ao crescimento e produção das culturas.

O teor de matéria orgânica de um solo depende de factores climáticos, edáficos e antropomórficos. A importância do clima resulta do efeito da temperatura e precipitação na produção vegetal (e consequentemente no retorno de resíduos ao solo) e na taxa de mineralização da matéria orgânica.

O clima Mediterrânico dificulta a manutenção de teores elevados de matéria orgânica porque a concentração da precipitação no Inverno reduz o potencial de produção de biomassa e a temperatura média anual elevada aumenta a taxa de mineralização da matéria orgânica do solo.

O teor de argila do solo é outro factor a condicionar o seu teor potencial em matéria orgânica, uma vez que o complexo argilo-húmico é mais estável que a matéria orgânica livre. Mas o factor mais importante é eventualmente a acção do homem, uma vez que este condiciona tantos os ganhos como as perdas.

As culturas praticadas, o destino dado aos seus resíduos e a eventual adição de estrumes e outros adubos orgânicos são determinantes nos ganhos de matéria orgânica do solo.

O sistema de mobilização praticado é um factor determinante nas perdas, uma vez que condiciona as perdas de solo por erosão e a taxa de mineralização. Este efeito negativo da mobilização do solo na taxa de mineralização é particularmente grave em climas quentes como o nosso.

Como aumentar o teor em matéria orgânica dos solos em Portugal

Conceptualmente, aumentar o teor de matéria orgânica do solo implica aumentar os ganhos e reduzir as perdas. Os ganhos do sistema são os resíduos das próprias culturas e a adição de produtos orgânicos como os estrumes, chorumes e compostos.

Neste artigo iremos abordar as questões ligadas à adição de matéria orgânica do solo, deixando de lado as questões que se predem com as perdas (erosão e mineralização).

A utilização de produtos orgânicos na adubação das culturas pode ter um papel muito importante no aumento do teor de matéria orgânica do solo. Por um lado são uma fonte dos principais nutrientes necessários ao crescimento vegetal.

Assim, a sua aplicação ao solo, particularmente em solo com baixos níveis de fertilidade, são uma forma privilegiada de aumentar a produção e, consequentemente, a quantidade potencial de resíduos vegetais que ficam disponíveis para devolver ao solo. Mas os produtos orgânicos são em si próprios uma fonte de carbono. A eficácia com que o carbono orgânico adicionado pelos adubos se converte em húmus (coeficiente iso-húmico) depende em grande parte da sua razão carbono/azoto.

Nesta perspectiva, a utilização de compostos contendo uma baixa razão C/N é mais eficaz que outros produtos orgânicos, como o estrume fresco. Em compostos com uma razão C/N entre os 10 e os 12 é lícito assumir um coeficiente iso-húmico de 50%, ou seja, metade do carbono adicionado pelo composto é convertido em húmus pela actividade microbiana do solo.

(Continua)

Nota de Redação:

Artigo publicado na edição n.º 30 da Revista AGROTEC.

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Fonte: Agrotec

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