Supersobreiros na Herdade da Abóbada em Serpa

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A Câmara Municipal de Serpa e a União de Freguesia de Vila Nova de São Bento e Vale de Vargo estão a colaborar com o CEBAL (Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Alentejo) numa experiência científica única: a manutenção de uma população de supersobreiros, fruto de polinização controlada, o que significa que estas serão das poucas árvores no mundo cujos pais são conhecidos.

A participação da Câmara Municipal de Serpa e da União de Freguesias de Vila Nova de São Bento e Vale de Vargo neste projeto científico passa pela rega das árvores, durante os meses de verão, com início no passado dia 15 de junho e até que seja instalado um sistema de rega gota-a-gota.

Esta população de sobreiros foi instalada recentemente no Centro de Experimentação do Baixo Alentejo, localizado na Herdade da Abóbada, em Vila Nova de São Bento, concelho de Serpa.

Trata-se de um projeto de investigação do CEBAL, que se prende com a potenciação de determinadas características dos sobreiros. Para o efeito foram escolhidas as árvores (fêmea e macho) com as melhores características para darem origem a novas árvores, mais robustas, e que irão desenvolver aspetos determinados, definidos pelos cientistas do CEBAL, como a produção de cortiça de maior qualidade ou uma maior resistência a doenças. “São das poucas árvores no mundo que se conhece o pai e a mãe”, comenta Carlos Bettencourt, responsável pelo Centro Experimental.

“É um motivo de orgulho, não só pelo interesse mundial que este projeto tem, mas também pelo facto de os investigadores terem achado que o sítio apropriado era aqui, na Abóbada”, disse este responsável, salientando que foram visitados vários locais no Alentejo, houve mesmo interesse de privados, mas depois de efetuados vários estudos e análises, foi escolhida a Abóbada.

São cerca de 280 “sobreiros únicos”, atualmente com três anos de vida, plantados em três hectares de terreno, refere Marcos Ramos, o investigador do CEBAL, responsável pelo projeto. Para breve será lançada uma campanha de crowdfunding, para financiar todos os custos relacionados com a instalação e manutenção desta população, bem como uma outra campanha intitulada “Apadrinhe um sobreiro”.

“Já é possível ter uma ideia inicial sobre a revelação genética das caraterísticas de alguns destes sobreiros. Temos vindo a medir a altura de cada árvore e o diâmetro do caule, de uma forma regular, desde que tinham 5 ou 6 meses de idade, (…) pelo que temos possibilidade de fazer uma análise preliminar e tentar perceber o que é que está por detrás destes segredos muito característicos do sobreiro. Para começar a falar em qualidade de cortiça ou produção de cortiça, vamos ter que esperar que as árvores cheguem a esse ponto da sua vida produtiva”, avançou o investigador.

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