Quercus quer que orçamento de estado apoie áreas agrícolas no interior de espaços florestais como ferramenta de prevenção de incêndios

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A Quercus considera fundamental que o Orçamento de Estado e em particular as medidas em discussão na especialidade, contemplem mecanismos que possam ajudar a viabilizar o uso destas áreas e a recuperar a sua função de mitigação da propagação do fogo, isto é, de instrumento fundamental de ordenamento, equilíbrio territorial e proteção dos espaços florestais.

Em Portugal, durante séculos, os espaços florestais estiveram compartimentados por espaços utilizados para culturas agrícolas, principalmente ao longo das linhas de água. Estes espaços agrícolas constituíam um fator fundamental na compartimentação do território pois criavam faixas desprovida de combustíveis lenhosos em zonas de elevada humidade, que funcionavam como verdadeiros corta-fogos de elevada eficácia.

Com a diminuição da população no meio rural e o desaparecimento da pequena agricultura, estes pequenos vales agrícolas no interior da floresta, encontram-se na maioria dos casos votados ao abandono. Atualmente são áreas ocupadas por matos e outros tipos de vegetação de elevada combustibilidade, que por essa razão, não só deixaram de realizar a sua função de descontinuidade de combustível, mas pelo contrário tornaram-se locais onde o fogo quando chega aumenta exponencialmente de intensidade.

Devido à fragmentação da propriedade e à localização remota destes terrenos, a sua utilização agrícola tornou-se inviável. Sem atribuição de apoios adequados aos seus proprietários irão continuar votados ao abandono

Face á importância destas áreas agrícolas no interior de espaços florestais, a Quercus considera fundamental que o Orçamento de Estado e em particular as medidas em discussão na especialidade, contemplem mecanismos que possam ajudar a viabilizar o uso destas áreas e a recuperar a sua função de mitigação da propagação do fogo, isto é, de instrumento fundamental de ordenamento, equilíbrio territorial e proteção dos espaços florestais.

Para além da recuperação da atividade agrícola nestes espaços, devem ainda ser equacionadas medidas complementares que promovam o emparcelamento funcional e a sua compartimentação com espécies folhosas de menor combustibilidade, de modo a reforçar o seu papel na defesa da floresta contra os incêndios.

Lisboa, 14 de Novembro de 2017

A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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