Produtores de leite optimistas com “tendência de crescimento”

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Os produtores de leite estão “mais optimistas” em relação ao futuro do sector e, apesar de estarem ainda a recuperar das dificuldades, notam uma “tendência de crescimento”, afirmou o presidente da associação do sector.

O presidente da Associação de Produtores do Leite de Portugal (APROLEP), Jorge Oliveira, reconheceu um aumento do preço médio pago aos agricultores pela indústria e grande distribuição. “A tempestade ainda não passou, mas já vemos algumas abertas. Continuamos abaixo da marca dos 35 cêntimos por litro de leite que deveria ser pago aos produtores, mas tem havido uma tendência de crescimento, que acreditamos poderá chegar ao patamar que pretendemos”, disse o dirigente.

Jorge Oliveira explicou que a contribuir para essa melhoria está um aumento da procura por parte do grupo Jerónimo Martins, que acabou por “mexer no mercado”. “Esse comprador concluiu uma unidade de embalamento de leite UHT, para aumentar a sua capacidade de transformação, e está no mercado à procura de produtores, o que nos deixa mais optimistas”, descreveu o líder da APROLEP.

Para fazer face a essa maior procura, Jorge Oliveira apontou que alguns produtores estão a tentar aumentar a dimensão das suas explorações, mas lembrou que os problemas do passado, com vários anos de crise, “ainda não foram superados”.

“Para que o negócio se torne atractivo, os produtores que teimam em manter-se na actividade estão a tentar aumentar as suas explorações, mas é um adiar de ter as contas em dias, pois além dos investimentos necessários, muitos ainda estão a pagar as dívidas do passado”, descreveu o presidente da APROLEP.

Um dos maiores desafios que o sector do leite atravessa é o seu rejuvenescimento pois, segundo Jorge Oliveira, “são muitos poucos os jovens que querem entrar neste meio”.

“Não há novas pessoas a querem abraçar esta actividade. Houve muitos que desistiram, e os jovens afastam-se do negócio porque não é atractivo. Além das dificuldades na aprovação de novos projectos, ainda é muito difícil garantir bons contractos para escoar a produção”, descreveu.

Com este paradigma, o líder da APROLEP considera ser necessário “renovar o modelo de cooperativismo do sector”, prevendo que possam acontecer fusões. “Tendo em conta a dimensão das cooperativas, talvez seja necessário haver fusões, pois havendo menos produtores, há menos sócios, levando a que a estruturas tenham de ser ajustadas para esta realidade”, opinou Jorge Oliveira.

Estes e outros temas foram debatidos no Colóquio Nacional do Leite, que se realizou no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, numa organização da APROLEP, em colaboração com a Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto (AJADP).

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