Orizicultores de Alcácer do Sal já estimam cultivar metade da produção habitual

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Apesar da chuva dos últimos dias, continua a existir “uma situação de falta de água” na região, diz o director do Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado, João Reis Mendes. No ano passado, os produtores de arroz tinham receio de não poder cultivar este ano.

O aumento da quantidade de água nas barragens de Pego do Altar e de Vale do Gaio, em Alcácer do Sal, deverá possibilitar o cultivo de, pelo menos, metade da produção habitual de arroz, segundo os orizicultores. “Subiram os níveis de armazenamento das barragens, o que dá algum ânimo no sentido em que podemos fazer produção”, disse nesta sexta-feira à agência Lusa o director do Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado (Aparroz), João Reis Mendes. Sem se comprometer com números concretos, “porque quem decide a distribuição da água é a Associação de Regantes e de Beneficiários do Vale do Sado”, no distrito de Setúbal, o dirigente da Aparroz indicou que poderá estar “garantido”, no perímetro de rega das barragens de Vale do Gaio e de Pego do Altar, “pelo menos 50%” da produção habitual. “Vamos aguardar até uma decisão definitiva, mas eu acho que menos de 50% [da produção de arroz]já não deixamos de fazer na zona de Alcácer do Sal”, afirmou, frisando, no entanto, que continua a existir “uma situação de falta de água”, apesar da chuva dos últimos dias. “Há 15 dias, não tínhamos rega” A barragem de Vale do Gaio está actualmente com “42% da capacidade de armazenamento” e a de Pego do Altar “com 47%”, segundo o coordenador geral da Associação de Regantes do Vale do Sado, Gonçalo Lince de Faria. A terra dos arrozais protege-se com a barragem da Aguieira “Há 15 dias, quando começou a chover, não tínhamos rega, pura e simplesmente, não tínhamos absolutamente água nenhuma e, neste momento, temos já garantidos 60% da área beneficiada”, afirmou, acreditando que a situação pode vir a melhorar “com a chuva prevista para os próximos dias”. Isto significa, especificou, que, dos cerca de seis mil hectares do perímetro de rega do Vale do Sado, “cerca de 60% de área, neste momento, já tem garantias de água”. O mesmo responsável da associação disse acreditar que, “se continuar a chover e a subir a quantidade de água armazenada nas albufeiras”, vai ser possível ir “aumentando a área de rega”, decisão que deve ser “tomada em Abril”, altura em que “os agricultores começam a preparar as terras”. No concelho vizinho de Santiago do Cacém, onde existe uma área de 300 hectares dedicada à produção de arroz, o director adjunto da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado, Ilídio Martins, estima que, com a subida do nível da água na barragem de Monte da Rocha, “cerca de metade da área de produção” possa ser abastecida. A seca na Cidade do Cabo não vai parar. E devia ser exemplo para Portugal Em Novembro do ano passado, os produtores de arroz tinham receio de não poder cultivar este ano, depois de, devido à quantidade de água disponível nas barragens, já terem reduzido em 2017, “20 a 30%” da área semeada. A redução da quantidade de água nas barragens de Pego do Altar e de Vale do Gaio notava-se já “desde há três anos”, segundo disse em Novembro de 2017 o director-geral da APARROZ. A situação levou à decisão dos produtores de semear arroz em menos “10 a 15%” da área em 2016 e “20 a 30%” em 2017, de um total de “5.500 a 6 mil hectares”. Ponte não era vista fora de água há 19 anos A APARROZ tem 30 sócios e trabalha com “cerca de 170 produtores”, maioritariamente de Alcácer do Sal, mas também dos concelhos de Montemor-o-Novo, Grândola e Santiago do Cacém. Com uma “produção média anual de seis toneladas por hectare” e com “um preço médio de 280 euros por tonelada”, o cultivo do arroz é uma das principais actividades económicas de Alcácer do Sal, que, quando explorados os seis mil hectares, pode chegar a valer cerca de “10 milhões de euros”. A seca levou mesmo a que, no final do ano passado, tenha ficado descoberta uma ponte, submersa na albufeira de Pego do Altar, que não era avistada fora de água desde 1999. Nas últimas semanas, com a subida do nível da água, a ponte voltou a imergir. Fonte: PublicoLer Artigo Original

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