“Histórias que Dão para ver” em Mangualde e em mais quatro concelhos

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O vinho e a mulher estão em destaque em “Histórias que Dão para ver”, espetáculo que envolve seis entidades culturais e mulheres dos cinco municípios onde será apresentado, disse hoje à agência Lusa o encenador Paulo Duarte.

“Sara é uma jovem mulher, que é obrigada a assumir o comando de uma quinta vinhateira, depois da morte do pai e da mãe, e o espetáculo é o resumo de como é que uma empresária – e mulher, principalmente – consegue manter este negócio em cima e sempre com objetivos de alcançar outras metas”, sintetizou Paulo Duarte.

Segundo o encenador, “há mistérios na família de Sara e ela não sabe quem é o pai, mas há um homem, Afonso, que se aproxima dela, e a quem ela pede conselhos”. “É uma personagem que, supostamente, namorou com a mãe e está no ar a possibilidade de ser o pai dela”.

Esta é a narrativa base de “Histórias que Dão para ver”, que vem na sequência de um outro espetáculo com dois anos, “Contos de Baco”, e que se mantém neste “segundo episódio” do projeto do Teatro Montemuro.

“Desde que apresentámos às autarquias os ‘Contos de Baco’, que era um espetáculo à volta do vinho, estas ‘Histórias que Dão para ver’ já integravam o projeto, com o objetivo de manter três personagens e o vinho como tema principal, mas desta vez também ter a mulher como foco”, desvendou.

De “Contos de Baco” mantêm-se Afonso, interpretado por Eduardo Correia, Sara, por Sandra Barreto e um dos dois músicos homens que participam, neste caso o diretor musical, Rui Sousa.

No enredo está também o feitor Nazário, que é o único homem desta “família” gerida por Sara. Aliás, a peça conta “somente com a participação de quatro homens”: o feitor, o amigo Afonso e dois músicos que atuam no espetáculo que Sara organizou”, para lançar o seu novo vinho.

“Este espetáculo é o lançamento de um vinho Dão e, em vez de convidar a comunicação social e as grandes personalidades do ramo, decide convidar os trabalhadores da quinta e as pessoas locais para a apresentação do vinho, assim como a comunicação social local”, revelou Paulo Duarte.

O objetivo do espetáculo, explicou o encenador, “é falar da questão das mulheres e dos seus desafios” e, por isso, o ‘casting’ realizado nas localidades foi só destinado a mulheres e teria de ter obrigatoriamente mulheres já com alguma idade, com histórias de vida”.

Como explicou Paulo Duarte, “as falas exigem que tenham de ser ditas por mulheres com mais de 50 ou 60 anos, para fazer sentido o que elas dizem” e, por isso, a companhia de teatro captou em Mangualde mulheres entre os 24 e os 76, mas, para outros locais, a idade já varia, “apesar da exigência da idade madura”, numa percentagem das personagens.

“Tínhamos de ter a essência da mulher no panorama atual. Há um momento do espetáculo em que Sara fala da Ferreirinha e da Dona Antónia, do Douro, e não há muito mais referências, a nível nacional, de mulheres que tenham vingado e tenham estado no auge no setor do vinho”, anotou.

E é neste lançamento do novo ‘néctar dos deuses’ que entram as restantes entidades artísticas, todas do distrito de Viseu, que, juntamente com o Teatro Montemuro, “criam um espetáculo que envolve as várias patentes artísticas” e “se mistura o conteúdo artístico todo, dentro da linha de cada companhia”.

“O objetivo deste espetáculo é que ela decide acarinhar estas pessoas com uma festa com artistas convidados, bailarinos, músicos, projeção de vídeo e também Afonso, o amigo por quem tem sentimentos e a quem pediu para criar uma frase erudita para colocar no rótulo do vinho”, contou.

A Companhia Paulo Ribeiro, o Teatro Viriato, o Trigo Limpo Teatro ACERT, a Binaural/Nodar e o Cine Clube de Viseu emprestam a sua veia artística a este espetáculo único em cada um dos cinco concelhos onde vai ser apresentado, uma vez que em cada município há histórias diferentes.

“A base da história está lá toda, está igual, há é um momento diferente, porque tem uma história diferente, a que nós chamamos a história local, porque vamos ter uma professora local, já reformada, que fala do nascimento do concelho. Neste caso é Mangualde”, contou Paulo Duarte.

Na semana seguinte o espetáculo vai ser apresentado em Castro Daire, “onde as pessoas já estão a ensaiar há mais de um mês”, e segue depois para Penalva do Castelo, Sátão e, mais tarde, “só em novembro, chega a Nelas”. E em todos eles participa uma professora reformada.

“Vai falar sobre a essência do concelho em causa, como é que apareceu e também do património e das coisas interessantes que lá acontecem, ou seja, no fundo é um chamamento às pessoas para virem conhecer o concelho”, disse.

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Fonte: Gazeta Rural

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