Generalidades sobre a existências de carraças em ruminantes

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Por: Zita Martins Ruano, Diana Santos, Mariana Camelo, Marta Figueira, Sara Silva, Teresa Letra Mateus

As carraças são ectoparasitas hematófagos que pertencem ao filo Arthropoda, classe Arachnida e ordem Acarina. Estão presentes praticamente em todo o mundo e estima-se que tenham aparecido há cerca de duzentos milhões de anos.

Têm uma grande capacidade de adaptação às condições climatéricas extremas e à diversidade de hospedeiros (Allan, 2001). Podem parasitar répteis, aves e mamíferos, utilizando-os como hospedeiros e como fonte de alimentação. São facilmente observadas a olho nu, devido à sua dimensão. Consideradas o grupo mais relevante dos ectoparasitas, provocam lesões durante o contacto com o hospedeiro e atuam também como vetor de agentes patogénicos, acabando por vezes, por tirar proveito deste transporte para seu próprio benefício (Elsheikha et al., 2018).

O ciclo de vida destes parasitas compreende 4 fases: ovo, larva (3 pares de membros), ninfa (4 pares de membros e sem orifício genital) e, por fim, a fase adulta (4 pares de membros e um orifício genital) (Grandes et al., 2001). Dividem- se em duas famílias conhecidas: Ixodidae (carraças duras) e Argasidae (carraças moles). As carraças da família Ixodidae são relativamente grandes (entre 2 e 20mm), achatadas dorso-ventralmente, com escudo dorsal, que no caso dos machos cobre o corpo todo e nas fêmeas só parcialmente. As carraças da família Argasidae são denominadas de carraças moles devido à ausência do escudo dorsal (Zajac e Conboy, 2012).

Os ixodídeos possuem obrigatoriamente um ou mais hospedeiros durante o seu ciclo de vida, que demora pelo menos um ano para se completar (Allan, 2001).

Os argasídeos vivem sempre em habitats protegidos (ninhos de aves, cavernas, tocas ou estábulos) contra os fatores ambientais que possam comprometer a sua sobrevivência, sendo que estes devem permitir um eficaz e rápido contacto com os hospedeiros (Grandes et al., 2001).

A distribuição das várias espécies de carraças tem sido potencializada com o desenvolvimento da atividade pecuária e movimentações entre animais. Nos ruminantes, os ixodídeos são mais comuns dos que os argasídeos e a nível europeu têm uma maior importância como vetores de doenças nestes animais. Apesar de algumas espécies pertencentes à família Argasidae também serem vetores de agentes patogénicos, é a família Ixodidae que revela maior importância médica pelo número de espécies envolvidas na transmissão de diversos agentes patogénicos aos ruminantes e, também, ao Homem. A presença e as doenças transmitidas por carraças no desenvolvimento pecuário, que atualmente apresenta um baixo rendimento, representam um grande impacto económico e, portanto, é importante caracterizar a infestação, adotar planos de desparasitação e perspetivar futuras intervenções no controlo destes parasitas (Bowman, 2004; Zajac e Conboy, 2012).

Nota: Este artigo tem uma segunda parte que faz farte da edição 33 da revista Agrotec.

(continua):

Nota: Artigo publicado na edição impressa da Agrotec 32.

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Fonte: Agrotec

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