Floresta do futuro exige mudança de mentalidades – especialista

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Uma nova gestão da floresta portuguesa exige “vontade política” e mudança de mentalidades para que possa ter sucesso, defendeu hoje em Oliveira do Hospital uma docente do Instituto Superior de Agronomia (ISA).

Em declarações aos jornalistas, Margarida Tomé disse que “este problema não é técnico”, mas antes “político, social e económico”, já que a solução deve passar, designadamente, por “chamar as pessoas fazerem uma gestão agrupada” da propriedade florestal, caracterizada pela predominância do minifúndio, no Centro e Norte de Portugal.

“A floresta portuguesa dificilmente é rentável. Por isso é que o eucalipto prolifera no país”, acrescentou.

Cerca de 25 investigadores e professores do Centro de Estudos Florestais e do Centro de Ecologia Aplicada Baeta Neves do ISA, em Lisboa, incluindo cinco alunos do mestrado internacional em Floresta Mediterrânica, percorreram hoje as áreas daquele município, no distrito de Coimbra, devastadas pelos incêndios no dia 15 de outubro.

Para Margarida Tomé, que em finais do século XX liderou a equipa que produziu o inventário florestal de Oliveira do Hospital, no âmbito da elaboração do Plano Diretor Municipal (PDM), “tem de haver vontade política” para que a floresta possa ser mais resistente aos incêndios no futuro.

“Não podemos obrigar as pessoas a fazerem o que não querem”, sublinhou, preconizando que primeiro importa “mudar a sua mentalidade”.

No final da visita às zonas atingidas pelo fogo, em que participaram responsáveis do Gabinete Técnico Florestal da autarquia, a docente do Instituto Superior de Agronomia afirmou aos jornalistas que “é desolador ver um concelho com a área florestal completamente ardida”.

Margarida Tomé alertou para a necessidade de evitar a monocultura e de, em alternativa, promover “uma floresta em mosaico” com alternância de diferentes árvores e arbustos.

A delegação do ISA pretendeu verificar no terreno “o que poderá ser feito em termos de gestão florestal no futuro”, admitindo ainda firmar parcerias com o município de Oliveira do Hospital, a que preside José Carlos Alexandrino, “para projetos de investigação e desenvolvimento em diferentes áreas científicas, com o objetivo de transferência de conhecimento para a prática”.

Fonte: Sapo.pt

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