Feira da Pinha e do Pinhão 2018 é este fim-de-semana em Carregal do Sal

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Promover os produtos endógenos, em concreto o pinhão, é um dos objectivos da Feira da Pinha e do Pinhão, que terá lugar nos dias 19, 20 e 21 de Janeiro em Carregal do Sal, e que este ano regressa ao formato de três dias de funcionamento.

A Câmara de Carregal do Sal volta a apostar em grande num certame anual que promove a cultura do pinheiro manso mas também a gastronomia, os vinhos, o artesanato, a etnografia e as potencialidades do concelho, voltando a contar este ano com a presença do programa Somos Portugal, da TVI, no domingo.

Stands de empresas relacionadas com a fileira do pinheiro manso, institucionais, produtores de vinho, queijos e enchidos, doçaria tradicional e restaurações concelhias, vão ocupar a tenda coberta implantada em espaço contíguo ao edifício da Câmara Municipal de Carregal do Sal. E, no exterior, não vão faltar as tradicionais rulotes de farturas, o pão na pedra e muito mais num total de 100 expositores. Os produtos sabiamente manufacturados pelos artesãos, os vinhos do Dão, os licores e a afamada ginja, os doces, os bolos tortos e os pratos típicos, a par do pinhão, ex-libris do certame, de per si ou combinado com outras iguarias, a desafiar os visitantes, nomeadamente os mais audazes e atrevidos a associarem-se ao certame que terá, uma vez mais, honras televisivas, com a emissão em directo do programa “Somos Portugal”, da TVI.

A Feira abre as suas portas às 18 horas do dia 19 de Janeiro, inaugurada pelo Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, precedida por uma sessão solene no Salão Nobre dos Paços do Concelho, pelas 16 horas.

“Dar a conhecer as potencialidades do concelho”

Em entrevista à Gazeta Rural, Ana Cristina Borges, vereadora da Câmara de Carregal do Sal, diz que a edição 2018 do certame “é a consolidação de edições de anos anteriores, em torno da promoção do Concelho, dos valores ancestrais e dos recursos e produtos endógenos, abundantes em quantidade e qualidade em cada recanto do nosso concelho”.

Gazeta Rural (GR): Que novidade apresenta a Feira deste ano e qual a expetativa para a mesma?

Ana Cristina Borges (ACB): A Feira da Pinha e do Pinhão, Saberes e Sabores de Terras de Carregal do Sal de 2018 traduz, em bom rigor, a consolidação de edições de anos anteriores, em torno da promoção do Concelho, dos valores ancestrais e dos recursos e produtos endógenos, abundantes em quantidade e qualidade em cada recanto do nosso Concelho. Apesar de ser pequeno em dimensão e de ter carregado durante muitos anos as assimetrias de um município do Interior, Carregal do Sal é enorme na sua forma de ser e de estar, com uma população que dá o seu melhor em prol do desenvolvimento concelhio, que se emociona perante uma tragédia, que arrepia caminho e vai à luta e se entusiasma e pula nos momentos de diversão e euforia.

GR: Quais os objectivos para a realização deste evento e como se encaixa na estratégia promocional do município?

ACB: Desde a primeira hora que o Executivo Camarário tem como mote dar a conhecer as potencialidades do concelho de Carregal do Sal, em todos os seus patamares, para ser conhecido pelo Mundo fora. Como é habitual dizer-se, aos órgãos das autarquias locais tudo compete fazer no que diz respeito à prossecução dos interesses próprios das populações que representam, pelo que imbuída neste propósito, surge a realização deste evento. Como é do conhecimento geral, em outubro de 2017, este concelho foi fustigado pela tragédia dantesca dos incêndios florestais e tal facto obrigou a uma reflexão profunda sobre se se haveria ou não de realizar o certame no corrente ano.

E porque as adversidades devem ser combatidas, de frente, sem nunca se “atirar a toalha ao chão”, concluiu-se pela realização desta iniciativa, numa clara demonstração de não esmorecimento e desânimo, contribuindo para o incremento da nova centralidade da cultura do Pinheiro Manso, dos produtos de valor acrescentado que lhe estão associados e de outras potencialidades de atração turística do nosso Concelho.

Queremos levar a porto seguro a afirmação do Concelho de Carregal do Sal pelo que não regatearemos esforços até o conseguir.

GR: Que peso tem este sector na economia do Concelho?

ACB: Os recursos e produtos endógenos são o maior bem que um concelho pode ter. Carregal do Sal de acordo com estudos científicos orgulha-se de possuir condições de excelência para a cultura do Pinheiro Manso. A Câmara Municipal depositou todo o seu empenho neste projeto, por estar convicto de o mesmo ser uma alternativa mais amiga do Ambiente, credível e também rentável, capaz de combater a plantação desenfreada do eucalipto. A catástrofe dos incêndios florestais dos passados dias 15 e 16 de outubro de 2017, terão de ditar para o Concelho e para a Região um novo paradigma no que ao reordenamento e ocupação do espaço agroflorestal diz respeito. Ordenar é, pois, palavra de ordem e a Câmara Municipal de Carregal do Sal tem estado a fazer o trabalho de casa, de molde a mudar mentalidades, atitudes e comportamentos e fazer convergir sinergias, em que o todo há de ser sempre maior que a simples soma das suas partes. Da teoria à ação, sem preconceitos e numa atitude de valorização coletiva. Outras atividades como a cultura da vinha e os vinhos de Quinta, serão, por certo, cúmplices, capacitantes e de mais-valia para o desenvolvimento socioeconómico do Concelho e da Região.

GR: Carregal do Sal é um Concelho marcado pelo vinho. Qual a realidade do sector primário no Concelho e o que representa?

ACB: Os Vinhos de Quinta, nesta Região Demarcada do Dão, são um orgulho e um ex-libris do Concelho e da Região, com néctares de muita qualidade. A ampliação das quintas e por conseguinte da sua produção, tem merecido da parte dos investidores privados um patamar de investimento invejável e que todos desejamos ver continuado. Apoiar e incentivar é o papel principal desta Câmara Municipal e a Feira da Pinha, Saberes e Sabores de Terras de Carregal do Sal entronca nesse propósito, reconhecendo o elevado peso que os vinhos representam no setor primário.

GR: Qual a estratégia para o sector neste novo mandato?

ACB: A estratégia para o Concelho, independentemente do pensamento dos seus gestores, não pode deixar de ter em conta o incremento de políticas de sustentabilidade, de coesão e de subsidiariedade. Basta a humilhação de décadas em que o Concelho e a Região transportaram o fardo pesado e as assimetrias de uma interioridade feroz. Será importante arquitetar, ao nível do Governo, políticas discriminatórias, pela positiva, compensadoras dos seus efeitos nefastos e, porventura, de apostas menos conseguidas em mandatos anteriores, nomeadamente ao nível do Ambiente. São vetores importantes: A aposta na fixação e fidelização de emprego qualificado; melhor ambiente com a restruturação da recolha e tratamento de águas residuais, pois este para o bem e para o mal influencia o património natural e paisagístico, os recursos endógenos e toda a atração e valência turística; a regeneração urbana das zonas edificadas (históricas e antigas); a valorização incontornável dos valores da tolerância e da paz associados ao ato de Aristides de Sousa Mendes e de outros valores ancestrais que se encontram em cada aldeia do nosso território; as acessibilidades públicas intermunicipais com ligação aos centros de Coimbra e Viseu; e o reforço e articulação (rede) do emprego, da saúde, da ação social e do papel da IPSS.

Por último, uma certeza: O Município de Carregal do Sal, através dos seus órgãos desencadeará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir os propósitos atrás enunciados e de outros implicitamente associados.

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