Exportação de vinho regressa aos recordes e aproxima-se dos 800 milhões de euros

0

Os produtores e as empresas da fileira do vinho português têm razões de sobra para brindarem aos sucessos do ano passado. Depois de, em 2016, as exportações terem recuado pela primeira vez em duas décadas, o ano que acabou inverteu a tendência e abriu portas a todos os recordes. As vendas ao exterior cresceram entre 8 e 10%, ficando acima dos 780 milhões de euros (números estimados pela ViniPortugal), as quantidades vendidas aumentaram, os vinhos com denominação de origem ou engarrafados, que produzem mais valor acrescentado, viram a sua quota subir, o preço médio melhorou e, para dar mais brilho aos festejos, as vendas no mercado interno deverão ter crescido cerca de 7% em valor. “Foi de facto um ano muito bom”, congratula-se Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, a associação vocacionada para a promoção externa do vinho português. “Vai ser de novo o nosso maior ano de sempre”, diz Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, que espera para este ano uma aceleração nas vendas ao exterior na ordem dos 10%.

Entre todos os destinos do vinho nacional, porém, os Estados Unidos são cada vez mais uma espécie de paraíso que nenhuma região nem nenhum produtor quer perder. Empurrado pelas críticas positivas de gurus como Robert Parker ou pelas revistas da especialidade como a Wine Spectator (e também pelo aumento de consumo que tornaram o país no maior importador de vinho do Mundo), as exportações do vinho nacional cresceram 45% em valor entre 2012 e 2016 e tudo indica que essa tendência se mantenha. “É uma das nossas prioridades para o futuro”, reconhece Jorge Monteiro. Até porque, para lá das quantidades, nos Estados Unidos conta muito o factor preço. Os norte-americanos compram vinho português por valores bastante acima da média. Até Setembro do ano passado, o litro era exportado para a América a 3.82 euros, quando a média mundial era de 2.51 euros.

Nesse enorme mercado em crescimento, parece haver lugar para todos. Para marcas especiais como a “Silk & Spice”, um tinto com elevado teor de açúcar criado pela Sogrape. Para os Porto Vintage. Para os tintos de nicho a preços acima dos 30 euros. Para os Vinhos Verdes que têm aqui o seu principal mercado. Mas também para pequenos produtores como a Caves Transmontanas, que produz e comercializa o espumante Vértice. “Nos Estados Unidos conseguimos colocar os nossos vinhos na gama de preços que definimos. O mercado é profissional e transparente e se os compradores reconhecerem a qualidade dos nossos produtos não regateiam preços. É por isso que nós temos lá espumantes a serem vendidos a 40 ou 45 dólares”, diz Celso Pereira, enólogo e administrador da empresa. Como foi isso possível? “Fazendo muitas visitas e muitas provas”, responde Celso Pereira. Mas, os 95 pontos dados por Robert Parker a um dos seus vinhos ajudou. Como ajuda o facto de o espumante feito com a casta Gouveio estar a ser servido a copo no restaurante Eleven Madison Park.

Fonte: Publico.pt

Ler Artigo Original

Partilhar

Sobre o autor

Escrever Comentário

Powered by themekiller.com