Bragança: Butelo e casulas, uma dupla pouco conhecida tem direito a festival

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Quis o engenho e criatividade de gerações de cozinheiros anónimos elevar à categoria de iguaria produtos simples, ligados a territórios rurais. Em Trás-os-Montes, mais concretamente no distrito de Bragança, a cozinha reserva-nos uma mesa robusta e com produtos há séculos arreigados à região. Especificidades que em muito resultam do isolamento a que o território esteve votado. Nele, desenvolveram-se comeres singulares.

Dois deles, desconhecidos de grande parte da população portuguesa, são o butelo e as casulas. O primeiro é um enchido envolvido pela bexiga ou pelo bucho do porco e composto pelo recheio dos ossinhos do espinhaço e das costelinhas, com alguma carne agarrada. É costume comer este enchido artesanal, típico das casas do distrito de Bragança, no sábado de Carnaval. Um prato que chega às mesas acompanhado pelas casulas (ou palhada), estas as cascas de feijão secas.

Com o intuito de promover estes dois produtos transmontanos, o município de Bragança reserva-nos três dias de Festival do Butelo e das Casulas, entre 2 e 4 de fevereiro. Simultaneamente, 27 restaurantes da região apresentam as suas ementas com as duas especialidade a partir de 2 de fevereiro, prolongando a mostra até 13 do mesmo mês.

No decorrer do Festival do Butelo e das Casulas (encontra o programa completo aqui) haverá um espaço próprio com a presença de produtores locais. No evento, que decorre maioritariamente na Praça Camões, não faltará animação de rua com a presença dos típicos Caretos e os sons dos gaiteiros, assim como elogio à cozinha transmontana com a participação da chefe Justa Nobre e Armando Fernandes, estudioso incansável da gastronomia portuguesa.

A Câmara Municipal de Bragança, principal promotora do Festival do Butelo e das Casulas, convida todos os que visitam a região a prolongar a estada, reservando alguns dias para conhecer o património local e provar outros produtos da região.

bragança

De acordo com o município, “a não perder a suculenta posta de vitela mirandesa, gado que pasta nos lameiros verdejantes”. Uma carne que não carece mais do que uma pitada de sal e brasas no ponto certo para ser servida. Tal como as costeletas de cordeiro e o cabrito de Montesinho (no extremo norte do distrito), de rebanhos alimentados com ervas dos montes.

Já os pratos de caça confecionam-se nos tradicionais potes, aquecidos no fogo sempre aceso, “de onde saem aromáticos estufados e opulentos arrozes que trazem à memória paladares antigos”, sublinha a autarquia.

Nos ribeiros de águas frias pescam-se as trutas, sempre saborosas, sejam preparadas em escabeche ou assadas na grelha, que requerem como único tempero o excelente azeite da região.

Nos enchidos, à lareira curam-se alheiras, chouriças, salpicões, presuntos, chouriços de mel.

No outono, dos bosques e dos soutos da região chegam os cogumelos e as castanhas, que marcam presença nas ementas em preparações cada vez mais inovadoras, tanto a acompanhar pratos de carne como em tentadoras sobremesas.

É indispensável também provar o mel de castanheiro, o mais característico do concelho de Bragança, tal como os méis de urze ou de rosmaninho.

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