Autarca de Santa Marta de Penaguião alerta para vida difícil do trabalhar da vinha

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O presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião vai alertar na sexta-feira, durante o aniversário do Douro Património Mundial, para a “situação difícil” dos trabalhadores da vinha e reivindicar uma taxa de navegabilidade por turista.

A vila de Santa Marta de Penaguião, no distrito de Vila Real, acolhe na sexta-feira a cerimónia evocativa dos 17 anos do Alto Douro Vinhateiro (ADV), classificado como Património Mundial da UNESCO.

O presidente da câmara local, Luís Machado, afirmou hoje à agência Lusa que vai aproveitar a ocasião para alertar para as “dificuldades vividas pelos trabalhadores da vinha e os pequenos produtores”, aqueles que diz que “têm mantido, com o seu trabalho, a paisagem classificada”.

“Vou alertar para o reconhecimento e dignificação do trabalhador da vinha que tem sido esquecido”, frisou.

Luís Machado afirmou que a “maior parte destes trabalhadores não é devidamente recompensada pelo seu trabalho, não tem os seus direitos garantidos nem a proteção social assegurada”.

O autarca apontou ainda o preço reduzido a que as uvas são compradas aos pequenos produtores e que não paga os fatores de produção.

“Essas pessoas não têm sido dignificadas ou respeitadas ao longo destes anos. Temo-nos preocupado com muitas coisas menos com essas pessoas”, salientou.

Desde a classificação do ADV, a 14 de dezembro de 2001, que o turismo fluvial tem vindo a crescer no Douro.

Luís Machado defende que “esse fluxo turístico deve contribuir para a manutenção da paisagem” e, por isso, reivindica a implementação de uma “taxa de navegabilidade por turista que seja depois aplicada de forma transversal e equitativa no Douro”.

Taxa que, na sua opinião, devia ser revertida para um “fundo de maneio” para “compensar prejuízos provocados pelo mau tempo ou para garantir um seguro de colheita que permita, no mínimo, garantir os custos da produção”.

“Os produtores, os agricultores que trabalham diariamente têm que ser recompensados por manterem a paisagem e contribuírem para o negócio crescente e altamente rentável”, sublinhou.

O autarca considerou que a região deve ser pensada “como um todo”.

“Ela deve servir a todos, é de todos, mas está desequilibrada e muitos dos que mais trabalham têm sido esquecidos e têm enormes dificuldades. Há muitos durienses que vivem com dificuldades e isso não é justo, não é digno, e nós, como responsáveis, devemos trabalhar para ajudar todos”, frisou.

A sessão evocativa do ADV é organizada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), em parceria com o município de Santa Marta de Penaguião, a Comunidade Intermunicipal do Douro e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial.

Nesta cerimónia serão apresentados o balanço da iniciativa Somos Douro e as conclusões de uma sondagem realizada a jovens da região sobre quais são as suas expectativas.

A sondagem, realizada pela empresa Desenvolvimento Organizacional, Marketing e Publicidade (DOMP), teve em conta os cerca de 42 mil jovens que existem nos 19 concelhos da Douro, com idades compreendidas entre os 15 e os 34 anos, e envolveu uma amostra de 381 pessoas para uma reflexão sobre o que motiva este grupo a permanecer no Douro ou a fixar-se noutro destino.

Os resultados serão comentados por jovens que participaram no fórum Somos Douro, que se inseriu num diverso programa cultural de conversas, roteiros, oficinas e espetáculos e que foi comissariado pela jornalista Anabela Mota Ribeiro.

O programa foi apoiado pelo Norte 2020, no âmbito do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Fonte: Sapo.pt

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