Áreas Florestais Agrupadas: uma solução para a Floresta da Região de Aveiro

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Mais de uma centena de pessoas participaram na sessão de informação “Uma solução para a Floresta de minifúndio: Áreas FlorestaisAgrupadas (AFA)”, organizada pela Associação Florestal do Baixo Vouga (AFBV) na Biblioteca Municipal de Albergaria-a-Velha.Especialistas e proprietários florestais, que integram os projetos pilotos deÁgueda e Vagos, deram o seu testemunho e falaram sobre as especificidades das AFA.

Com quase 20 anos de experiência no terreno, a AFBV assumiu como uma missão valorizar e dignificar a Floresta da Região de Aveiro, sendo as AFA a solução para as pequenas propriedades. O modelo de gestão conjunta permite poupar cerca de 20% nos custos dos trabalhos florestais, garantir um aumento da produtividade superior a 60%, no caso dos eucaliptos, reduzir os riscos de incêndio e, ainda, implementar melhores práticas, tornando mais fácil o cumprimento das obrigações legais e o processo de certificação florestal.

Para a AFBV, outras das vantagens das AFA é a sua constituição e funcionamento não dependerem da Administração Central. “Precisamos fazer o que depende de nós e as AFA são um bom exemplo disso. É um projeto que depende apenas da vontade de cada proprietário florestal em tornar a sua propriedade mais valorizada, segura e rentável”, afirma o engenheiro António Guimarães, presidente da AFBV, sublinhando que “a associação vai continuar a exigir, junto das entidades competentes, políticas florestais adequadas para os proprietários florestais da Região de Aveiro”.

O engenheiro Luís Sarabando, responsável técnico da AFBV, na sua intervenção “Uma solução para a Floresta de minifúndio: Áreas Florestais Agrupadas” falou sobre as especificidades técnicas deste modelo de gestão conjunta. “Depois de 20 anos a trabalhar a floresta de pequenas dimensões estou convicto que só há um caminho: unir as pessoas para a gestão comum das propriedades. Em conjunto, os proprietários conseguirão tornar os projetos viáveis: poupar nos custos dos trabalhos, utilizar técnicas adequadas, reduzir os riscos dos investimentos e cumprir com as exigências legais e de proteção ambiental”.

O professor Oliveira Baptista, do Instituto Superior de Agronomia, na sua intervenção “Os proprietários florestais e a sua lógica de investimento”, falou sobre a evolução da floresta portuguesa nos últimos anos. O professor, que tem dedicado grande parte da sua vida a estudar as questões sociais da Floresta, alertou que é fundamental dar a devida importância aos proprietários florestais. Aproveitou para deixar a mensagem de que a Administração Central deve lançar políticas públicas em que os reais destinatários sejam os proprietários e as associações florestais. Mostrou-se satisfeito por ver a “casa cheia”, o que na sua opinião revela a força do associativismo na região e fez votos para que a dinâmica ali demonstrada seja replicada em outras regiões do país.

António Loureiro, presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, onde é responsável pela área das Florestas, felicitou a associação pela iniciativa e deu testemunho do bom trabalho que a AFBV tem desenvolvido na Região de Aveiro, em especial em Albergaria-a-Velha. Afirmou que o Município não teria as atuais políticas florestais, sem o contributo da AFBV, que com técnicos qualificados, capacidade e experiência, tem afirmado a importância do seu papel na região.

Silvério Regalado, presidente da Câmara Municipal de Vagos, recordou que os incêndios florestais de 2017 alertaram para o problema das propriedades florestais desordenadas e que as AFA são uma solução neste sentido. Recorde-se que no concelho de Vagos localiza-se um dos projetos pilotos das AFA (AFA da Pedricosa), sendo entendimento da autarquia que se trata de uma iniciativa inovadora que ajuda a reduzir os riscos de incêndios.

Testemunhos:

Nuno Trindade (Com foto em anexo)

Área Florestal Agrupada da Pedricosa (Vagos)

“Apenas com projetos como as Áreas Florestais Agrupadas podemos aspirar a retirar rendimento das propriedades, bem como ter a certeza de que contribuímos para o correto ordenamento do território e redução do risco de incêndio. Vejo as Áreas Florestais Agrupadas como uma alternativa viável, muito graças ao trabalho desenvolvido pela Associação Florestal do Baixo Vouga”.

Pedro Ferreira (Com foto em anexo)

Área Florestal Agrupada da Panasqueira (Águeda)

“Para quem tem propriedades pequenas, as Áreas Florestais Agrupadas são a solução, caso contrário a Floresta vai para o abandono. A única forma de contornar isso é através da união entre os proprietários. Durante este processo, fomos apoiados tecnicamente pela Associação Florestal do Baixo Vouga e estamos a apostar numa Floresta sustentável que respeita o Ambiente. Gostava que todos os meus terrenos estivessem integrados em Áreas Florestais Agrupadas”.

Nuno Duarte (Com foto em anexo)

Área Florestal Agrupada de Carregal (Aveiro)

“As pessoas estão desligadas da floresta, muito por causa dos incêndios e das medidas e burocracias descabidas. As mini parcelas dificultam a operacionalização do trabalho na floresta, sendo que muitas delas são mesmo impossíveis de gerir. As Áreas Florestais Agrupadas permitem criar economia de escala e voltar a trazer rendimento para as famílias com investimentos reduzidos. A gestão florestal é feita com menores custos, maior valorização dos seus produtos, o que traduz um maior retorno. Outra das vantagens é que as Áreas Florestais Agrupadas ajudaram a identificar parcelas da nossa família, através da georreferenciação. Não podemos brincar aos quintais, é preciso ganhar dimensão. Com as Áreas Florestais Agrupadas, a gestão é apoiada por técnicos qualificados, libertando-nos para outras atividades. O meu interesse em investir na Floresta aumentou de 8% para 80%”.

João Coutinho de Carvalho (67 anos)

Área Florestal Agrupada de Carregal (Aveiro)

O minifúndio nunca foi, nem vai ser o futuro, precisamos de nos juntar porque a união faz a força. Chegou a altura de mudarmos a floresta portuguesa e de sermos o exemplo para os outros. Este projeto torna-nos mais resilientes, contra as leis injustas, contra os incêndios e permite-nos mais rentabilidade e maior rentabilidade das nossas áreas. Acredito que este projeto seja o futuro se os proprietários assim o quiserem. Acredito que deixar a “casa” organizada para as próximas gerações lhes vai facilitar a vida no futuro”.

Pedro Pinho – Gerente/Operador de Máquinas

“Numa parcela pequena, a grande dificuldade é a deslocação das máquinas. Os custos são elevadíssimos, com um nível de produtividade que não se compara às parcelas grandes”.

As AFA em resumo:

São áreas florestais superiores a 10 hectares constituídas por cinco ou mais parcelas de terreno continuas e pertencentes a cinco ou mais proprietários, sujeitas a um plano de gestão florestal e a um plano de investimento comuns. A AFBV apoia os proprietários durante todo o processo de constituição das AFA, através de assessoria técnica e jurídica, incluindo o acesso a comparticipações financeiras.

A Associação Florestal do Baixo Vouga:

Foi com a vontade de contribuir para uma melhor gestão e defesa da Floresta que, em 1999, nasceu o projeto da Associação Florestal do Baixo Vouga. Valorizar e dignificar o sector florestal é a nossa missão.

A Floresta é uma fonte de riqueza e garantia de qualidade de vida, mas isso só é possível graças às pessoas que vivem da Floresta e usufruem da sua paisagem e recursos.

Passados quase 20 anos, conhecemos melhor a nossa floresta e as nossas gentes. A motivação cresceu, reforçada pela certeza de que a união é a palavra de ordem para a valorização do sector.

Para mais informações:

Maria Fernanda Ferreira

afbvcomunicacao@gmail.com

91 646 99 98

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