Aprender a cantar Cante Alentejano, ouvir pássaros em concerto e raças autóctones.

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O Terras sem Sombra tem a preocupação de revelar o que há de mais interessante na herança cultural alentejana e o Cante – inscrito pela UNESCO na lista do Património Imaterial da Humanidade – constitui, por motivos bem compreensíveis, uma das suas prioridades. De facto, não se pode descansar à sombra da classificação: o legado tradicional tem que ser constantemente transmitido e reinventado para se manter vivo.
A Casa do Cante, em Serpa, é o espaço escolhido para receber, no dia 9 de fevereiro, às 15h00, uma “Oficina de Cante”, orientada pelo Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento, sob a orientação do seu ensaiador, Pedro Mestre. A actividade introduz os participantes no âmago desta tradição musical e fá-los partilhar do seu rico universo artístico e cultural. Torna-se possível a qualquer um, assim, aprender os princípios desta riquíssima tradição musical.

Pela noite, o Cineteatro Municipal recebe o concerto “À Vol d’Oiseau” – Aves e Biodiversidade no Repertório Pianístico – Do Barroco ao Presente, às 21h30.Trata-se de uma inédita aproximação entre os cantos das aves e a sua interpretação musical, em obras de mestres europeus, do século XVIII ao século XX – de Rameau e Couperin a Messiaen e Gubaidulina, sem esquecer o português Francisco de Lacerda. Um concerto que assenta como uma luva ao Terras sem Sombra, um evento preocupado em associar, de modo pioneiro, música (clássica ou contemporânea), biodiversidade e património.

Os protagonistas vão ser as aves cujas vozes se escutam nos campos serpenses. Isto requereu uma preparação muito especial por parte das personalidades em palco, Ana Telles, uma pianista com enorme paixão pela natureza, e o biólogo João Eduardo Rabaça. Este apresentará, através da imagem e do som, as espécies em questão, de modo a que se identifiquem os seus cantos – e os contextos, nupciais e outros, em que elas ocorrem. Pouco a pouco, num diálogo entre ciência e arte, escutar-se-ão, ao piano, peças inspiradas nesses gorjeios e trinados.

“Arca de Noé”: A preservação das raças autóctones e o genoma do sobreiro
O Centro de Experimentação do Baixo Alentejo (CEBA), em Vila Nova de S. Bento desenvolve um notável trabalho de estudo, preservação e valorização dos recursos genéticos autóctones, tanto animais como vegetais.
No dia 10, domingo, a partir das 9h30, a manhã é consagrada à Herdade da Abóbada, num périplo guiado pelo médico veterinário Carlos Bettencourt e pelo zootécnico Marcos Ramos. Objectivo: conhecer o trabalho aqui realizado na conservação das raças bovinas (mertolenga e garvonesa), ovinas (campaniça, merinas preta e branca), caprina (serpentina) e suína (alentejana) e o Banco Português de Germoplasma Animal.
Em pareceria com o Centro de Biotecnologia Agrícola e Agro-Alimentar do Alentejo (CEBAL) a Herdade da Abóbada acolhe também a única população de sobreiros onde os progenitores de cada árvore são conhecidos, além de se destacarem enquanto produtores de cortiça de boa qualidade.
Todas as actividades, organizadas em parceria com o Município de Serpa, são de acesso livre, partindo o Terras sem Sombra a seguir para Monsaraz, Valência de Alcântara, Olivença, Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

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