Amílcar Almeida: Valpaços ganhará parque aquático já no próximo ano

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A criação de um parque aquático e a reabertura do hospital são apenas alguns dos projetos que irão ser realidade num futuro muito próximo no concelho de Valpaços. Em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, Amílcar Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, revelou outros investimentos que estão em curso e falou ainda sobre as festividades em Honra de Nossa Senhora da Saúde, que têm início a 25 de agosto.

A Voz de Chaves: Decorreu, entre os dias 5 e 10 de agosto, mais uma edição da Feira Franca, em Valpaços. Para além dos momentos de lazer e cultura, este evento pretende, sobretudo, promover os produtos locais. Continua a ser uma forte aposta da autarquia?

Amílcar Almeida: Naturalmente que sim. O nosso concelho é um concelho por excelência rico no setor primário e, dessa forma, há uma aposta permanente e contínua do que de melhor brota dos nossos solos. Desde logo o azeite, o vinho, a castanha e a amêndoa são uma verdadeira alavanca da nossa economia, sem esquecer o folar, o mel, acima de tudo, a nossa gastronomia.
Esta foi a sexta edição da Feira Franca de Valpaços e a melhor de sempre. Decidimos fazê-la no centro da cidade, nos Paços do Concelho, por saber que muitos dos nossos emigrantes que nos visitam durante o verão não têm a oportunidade de ficar para as festividades em honra de Nossa Senhora da Saúde, que ocorrem sempre no primeiro fim de semana de setembro. Daí que entendemos que para além de promover os nossos produtos, é também uma oportunidade de homenagear todos aqueles que estão fora do concelho e que têm uma oportunidade de se encontrarem, matar saudades, e ainda adquirir os produtos de excelência do nosso concelho.
Estar à volta de uma mesa degustando a nossa excelente gastronomia é o mote, tendo sido um sucesso, ano após ano. É uma feira que está em crescendo e as pessoas felicitam-nos por uma iniciativa, que durante as noites quentes e calmas de verão as levam a sair de casa para dar uma volta pela cidade. E a cidade está melhor, está mais bonita, está mais atrativa. É mais um motivo para as pessoas conviverem, comprarem e divertirem-se. Todos os participantes, e a quem nós agradecemos, estiveram à altura desta feira, e são cada vez mais. De facto é um sucesso e a par da vertente económica aliamos a vertente cultural, indo ao encontro do diverso público-alvo, com várias atuações de grupos musicais, apresentação de um livro, jogos tradicionais, entre outros.

É fruto desta aposta nos produtos endógenos que faz de Valpaços um concelho que, ao nível dos bens transacionáveis das empresas, segundo dados no INE, exporta cerca de 20 vezes mais do que aquilo que importa?

Sim. Face aos dados conhecidos recentemente, Valpaços tem esse dom, diria eu, de poder exportar mais do que importa, e cerca de 20 vezes mais. É possível constatar que no nosso território tem havido uma grande azáfama no que respeita ao setor primário. E, de facto, é essa a alavanca da nossa economia. Ainda pegando nesses resultados do INE, quer no distrito de Vila Real, quer no distrito de Bragança, somos apenas ultrapassados pelo concelho de Bragança. Quem visita o nosso território verifica que quase todo ele está ocupado. Não temos praticamente território ao abandono, mas antes cultivado com afinco, num trabalho árduo, tanto na Terra Quente como na Terra Fria. A azáfama é grande no souto, no olival, na amêndoa e também na vinha.
Posso dar conta que através deste quadro comunitário muitos foram os investimentos já realizados no concelho de Valpaços.
Temos de investir no que de melhor temos, aproveitando as sinergias do nosso setor económico e agrícola. A Câmara Municipal tem-no promovido pois somos bons, não temos medo da competitividade, quer no país, quer além- fronteiras.
Este sucesso é partilhado por todos, pela Câmara Municipal no apoio que dá em desbravar caminhos para que os nossos produtos possam competir com os melhores. Não temos medo de facto de competir com os melhores, porque sabemos que somos dos melhores. A qualidade já cá estava, mas faltava a promoção. Hoje conseguimos estar representados em Espanha, França, Reino Unido, Suíça, Luxemburgo, China, sem descurar o mercado nacional.
É também uma forma de dar visibilidade, abrindo portas, ou seja, é uma forma de criar condições para que os jovens, que muitas vezes se vão embora à procura de trabalho, vejam na terra o futuro.

Vista panorâmica da cidade de Valpaços

Está a decorrer um concurso denominado “7 Maravilhas à Mesa”. Por que é que Valpaços não concorreu, sendo um concelho tão rico gastronomicamente?

Naturalmente que a autarquia não pode fazer tudo. Está sempre disponível para que os valpacenses possam avançar. E Valpaços tem uma rica gastronomia capaz de fazer inveja a outros concelhos que, por ventura, estejam a participar.
Quero acreditar que futuramente, e até pela visibilidade do programa, possamos estar representados numa próxima edição.
A autarquia estará disponível, como sempre esteve em todas as situações, a apoiar a comunidade porque juntos somos mais fortes e uma referência no sector gastronómico.
Hoje a Marca “Valpaços – A Essência Natural” é uma marca que já se afirmou no mercado nacional, mas também no panorama internacional. Portanto, nada temos a temer. Dou o exemplo do folar. Quase todas as terras o fazem, mas o nosso mereceu a classificação IGP porque é melhor. Não temos problema em competir porque sabemos que temos produtos que fazem a diferença, e no seu todo, naturalmente, com o saber fazer, com o que herdamos dos nossos avós, dos nossos bisavós, dos nossos pais, diferenciamo-nos dos demais pela qualidade.

Foi recentemente anunciado que a Feira da Castanha, de Carrazedo de Montenegro, irá chamar-se Feira da Castanha Judia. Porquê esta alteração?

Já no ano passado foi dada a conhecer como Feira da Castanha Judia. E isto porquê? Existem diversas variedades de castanha. E, de facto, a castanha que impera em qualidade e quantidade no nosso concelho é a castanha Judia. Esta destaca-se não só pela sua cor reluzente, mas também pelo tamanho e pela qualidade. E se de facto nós temos a qualidade, naturalmente que temos de procurar os dividendos.
É verdade que na próxima edição da Feira da Castanha, que tem lugar nos dias 9, 10 e 11 de Novembro, será reforçada a imagem do evento como a Feira da Castanha Judia. Para mostrar essa nossa preocupação fizemos até um mural em Carrazedo de Montenegro para lhe dar essa visibilidade e outras estratégias estão pensadas, para colocar em prática em breve, nesse sentido.
Há um empenhamento e dedicação por parte da Câmara Municipal de Valpaços e Junta de Freguesia de Carrazedo de Montenegro e Curros para que a Capital da Castanha tenha essa visibilidade e para que a Feira da Castanha Judia se possa afirmar no panorama regional e nacional, pois ainda tem muito para crescer.

Um dos grandes desafios do concelho de Valpaços, para além da produção, é a transformação. Ao nível da castanha já há algum projeto?

Há sim. Temos uma indústria, resultante de um investimento luso-italiano, que neste momento já emprega 44 pessoas na transformação da castanha, fazendo chegar ao mercado europeu e também nacional a Castanha DOP da Serra da Padrela.
Posso dar conta de outro investimento que brevemente será uma realidade na região e que irá operar também na transformação da castanha.

Em que ponto de situação se encontra o projeto da barragem em Carrazedo?

O projecto está a ser executado dentro da calendarização prevista e ainda, durante este mês, técnicos da empresa que o está a levar a efeito se deslocarão ao nosso concelho, prevendo-se que a candidatura possa ser apresentada até ao final do ano.
É uma prioridade deste executivo e está afincado para que a mesma possa ser uma realidade, sabendo de antemão que o investimento depende da aprovação da candidatura.
O trabalho tem sido desenvolvido junto do Ministério da Agricultura e, dada a importância do sector primário para a economia do concelho, há todo um interesse em defender a sua construção, pois a água é não só essencial para a quantidade, mas também para manter a qualidade.
A barragem que está idealizada terá uma área superior a 12 km2 de bacia hidrográfica e com uma profundidade superior a 40 metros. O benefício emergente e prioritário será o setor primário, não deixando também de podermos beneficiar da água para o consumo humano, como também para o combate aos fogos florestais, e ainda na área do lazer, nomeadamente a pesca e tudo aquilo que possa resultar do turismo.

Que medidas/projetos estão em curso de forma a promover o Turismo?

Queremos fazer com que o turista não se fique por Lisboa e Porto. E hoje há já uma parte considerável de turistas que de facto querem conhecer mais do que os grandes centros, estão entusiasmados com a beleza do mundo rural, com as nossas belas paisagens, com a nossa gastronomia, com o turismo religioso, com a segurança e a tranquilidade que oferece todo o Interior.
Nesse sentido, queremos aproveitar essa oportunidade e realizamos um investimento considerável na requalificação das nossas praias fluviais. Mais concretamente na Praia Fluvial do Rabaçal, por exemplo, no que diz respeito à pesca, estamos a fazer uma aposta considerável junto ao parque de campismo, no sentido de comportar, além das provas de caracter regional e nacional, provas ao nível internacional.
Para além das nossas praias fluviais, também as nossas piscinas têm sido um sucesso e temos vindo a limitar o número de entradas, uma vez que as atuais piscinas atingem muitas vezes as s entradas, sendo imperioso ampliá-las.
Queremos criar um parque aquático em Valpaços diferente do existente em toda a região e para tal já apresentámos uma candidatura. Caso seja aprovada, será uma realidade já no próximo ano. Queremos fazer um recinto aquático inovador, capaz de atrair público de diferentes idades.
Por sua vez, vamos apostar em percursos pedestres com várias temáticas, como os moinhos, os geomonumentos, os lagares cavados na rocha, o linho, além da ecovia e da ciclovia.

Praia Fluvial do Rabaçal

Costuma referir que para a qualidade de vida das populações são também fundamentais os cuidados de saúde. As obras de requalificação do Hospital de Valpaços estão ainda em curso. Existe já uma data prevista para a sua abertura?

Sim, contamos que o Hospital de Valpaços seja uma realidade no início do próximo ano. Será uma mais-valia para a saúde, mas também para a economia e para a taxa de empregabilidade no concelho.
Estamos envolvidos, e de que maneira, com a Misericórdia, de forma a requalificar o nosso hospital. É um investimento considerável, mas a autarquia não poderia deixar de participar num investimento responsável, sabendo de antemão que a Misericórdia por si só não conseguiria fazer face a um investimento tão considerável. O valor do investimento ronda os três milhões de euros e a autarquia assumiu 50% dos custos.
Teremos disponível o bloco operatório, cuidados continuados, internamento, medicina física e reabilitação, consultas externas, radiologia e serviço de apoio permanente. São várias valências às quais a população poderá efetivamente recorrer sem precisar de se deslocar a outros concelhos. Estas duas instituições, autarquia e Santa Casa da Misericórdia, não poderiam deixar melhor legado que o Hospital de Valpaços, um verdadeiro orgulho para nós.

Há cerca de um mês foi inaugurado o Auditório Arte e Cultura Luís Teixeira, um investimento que pretende, como anunciou na sua inauguração, o desenvolvimento cultural do concelho. Como tem sido a afluência e a adesão dos valpacenses às novas propostas culturais?

Não poderia ser melhor. É verdade que durante o mês de agosto não poderíamos levar a efeito uma grande oferta cultural, porque iria coincidir com o trabalho das comissões de festas, mas é uma obra que o concelho viu nascer há pouco tempo e superou as expectativas quanto ao número de pessoas que ocorrem às iniciativas que preparamos.
Queremos ter uma política capaz, ordeira, e, no fundo, que vá ao encontro dos objetivos e anseios da população. Depois das festas em honra de Nossa Senhora da Saúde vamos reforçar a oferta cultural naquele espaço que é acolhedor, aprazível, com excelentes condições para os mais variados espectáculos, bem como sessões de cinema. De facto as pessoas têm-no reconhecido e sabido felicitar a autarquia pelo investimento e qualidade do equipamento que pusemos ao seu dispor, que comporta bar, sala de exposições, auditório em anfiteatro com capacidade para 260 pessoas, camarins e um sistema de som com a tecnologia mais avançada.

com a tecnologia mais avançada.

Entre os dias 25 de agosto e 2 de setembro decorrem as festas da cidade e do concelho de Valpaços em honra de Nossa Senhora da Saúde. O que de mais significativo os valpacenses e quem visita o concelho poderão encontrar?

Já demos a conhecer o programa e o feedback tem sido muito positivo. A vertente religiosa, com destaque para a procissão em honra de Nossa Senhora da Saúde, o fogo-de-artifício, o circuito motorizado, mantêm-se, sendo pontos altos das festividades.
No entanto, temos vindo a fazer uma aposta nas festividades do concelho e a marcar posição, em toda a região, na oferta de diversos espetáculos musicais, com o consequente acréscimo de pessoas que assistem aos concertos, vindas de diversos pontos dos concelhos limítrofes. Recordo Xutos e Pontapés, Cuca Roseta, Tony Carreira, Carminho, etc. Este ano os cabeças de cartaz são o Paulo Gonzo, a Raquel Tavares, os HMB e o Toy, tendo o cuidado de olhar para os diversos públicos-alvo.
Este ano queremos inovar e vamos ter a arruada das concertinas. Quero acreditar que vamos ter para cima de 60 participantes e acredito que seja uma iniciativa que vá crescendo ao longo dos anos. Assim, na quinta-feira, dia 30, após ouvirmos a Raquel Tavares, teremos vários acordeonistas e pessoas com concertinas, que vão percorrer um trajeto na cidade.
Queremos transformar a noite de quinta-feira também na noite das concertinas. De facto a concertina tem vindo a ganhar projeção na área musical e queremos acompanhar esse ritmo, até porque há um crescendo também a nível da aprendizagem no concelho. São muitos jovens que hoje estão a aprender a tocar a concertina e o acordeão. Queremos envolvê-los na festa, além das nossas bandas e outros conjuntos locais, bem como os ranchos folclóricos que vão poder atuar junto da comunidade e dar a conhecer o que fazem durante o ano. Temos um programa recheado, muitíssimo bom, convido todos os leitores a visitar-nos.

Fonte: Diário Actual/Voz de Chaves

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