UTAD e Ordem dos Engenheiros lançam debate: É urgente travar o destino trágico de um país em chamas

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Dois bombeiros combatem as chamas durante um incêndio florestal que deflagrou durante a tarde de segunda feira em Mangualde, 11 de agosto de 2015. Os incêndios do concelho de Mangualde foram combatidos por mais de trezentos operacionais. NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

Mais uma vez, um verão abrasador desencadeou fogos devastadores em todo o país e trouxe para a praça pública um epifenómeno cíclico e dramático. Cruzaram-se as opiniões de todos os quadrantes, fizeram-se acusações, deu-se conta do esforço titânico dos bombeiros, viram-se populações isoladas e em pânico, a implorarem por mais meios para um combate que nunca será suficiente para travar esta calamidade.

Neste sentido, o Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), conjuntamente com a Ordem dos Engenheiros e com o apoio da Associação dos Florestais-da-Utad, vai iniciar na próxima 3ª feira (13 de setembro), pelas 10h, no Teatro de Vila Real, um ciclo de debates abertos subordinado ao tema a “A floresta portuguesa em causa”.

O primeiro debate terá como intervenientes, entre outros, Helena Freitas, Coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, José Miguel Cardoso Pereira, professor da Universidade de Lisboa, Américo Mendes, professor da Universidade Católica Porto, Paulo Fernandes, professor da UTAD, António Macedo, da Ordem dos Engenheiros, João Branco, presidente da Quercus, e Rogério Rodrigues, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

De acordo com os organizadores, “a atual situação, e com os cenários climáticos a darem sucessivamente conta de novos extremos, leva à liquidação sistemática dos esforços cada ano desenvolvidos. Em 2017, um verão menos seco e quente fará crer que se conseguiu inverter a situação, mas no ano seguinte um novo pico de calor voltará a trazer-nos à realidade.” Por outro lado, assinalam também “o despovoamento das áreas rurais, que indiretamente conduz à acumulação de materiais combustíveis, e onde um fósforo pode fazer lavrar um fogo de modo incontrolável», e sublinham «o sério risco de desaparecimento do conhecimento sobre a floresta”.

Na verdade, como refere José Aranha, Diretor do Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagista da UTAD, “os Engenheiros Florestais, formados para lidar com o território nas suas múltiplas facetas, desde a floresta à gestão dos recursos naturais (biodiversidade, caça, pesca, lazer, desenvolvimento rural), capazes para lidar com os proprietários e comunidades donos dos terrenos florestais, estão em vias de desaparecer, assim como a própria investigação ligada à floresta”. Contudo, defende também, “a Engenharia Florestal tem soluções para os incêndios florestais, alicerçadas na história, na experiência e no conhecimento científico, e estas soluções não são apenas do domínio da prevenção, mas também do combate”.

Este ciclo de debates pretende assim gerar uma reflexão aberta e séria sobre o destino trágico de um país em chamas e que ultrapassa em área ardida, relativamente à dimensão do seu território, qualquer outro país da Europa, mas onde a floresta ainda contribui com 7% das exportações. As sessões dirigem-se aos intervenientes mais diretos no setor, estando abertas à comunidade em geral.

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