Queda tardia faz subir o preço da castanha

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Considerada o “ouro da montanha”, a castanha é, em muitos concelhos de Trás-os-Montes, o produto com maior rentabilidade económica. Por esta altura, é também o ouro de quem se dedica à apanha e ganha 50 euros por dia.

A castanha está a cair da árvore mais tarde do que o habitual e o atraso está a provocar uma subida do preço. Chega a custar 2,5 euros quando sai do produtor e chega ao consumidor a mais de três.

Na maior mancha de castanheiros da Europa, em quantidade e qualidade, durante cerca de 20 dias é usual verem-se famílias inteiras, de manhã à noite, de souto em souto, na apanha da principal fonte de riqueza das denominadas “Terras de Montenegro”.

“Temos que as aproveitar todas, porque estão a dar dinheiro”, diz António Santos, ao mesmo tempo que deita as mãos cheias de castanhas no balde já quase cheio.

Este produtor de 65 anos não perde tempo em grandes conversas e apressa-se a apanhar o fruto que lhe “dá para as despesas do ano”.

O trabalho é árduo. Feito ao sol ou à chuva. Os ouriços picam, “estão ásperos, porque ainda não choveu” e nem as luvas parecem impedir algumas picadas nos dedos.

“O que mais custa é andar quase de cócoras para as apanhar”, diz Amélia Alves, queixando-se das “dores de costas” que a atormentam desde que iniciou a colheita.

Joaquim Evaristo, 78 anos, anda no souto com mais oito pessoas. Está a supervisionar os trabalhos e vai dando uma ou outra instrução.

“Andam todos à jeira a 50 euros por dia. Vou pagar uma boa ‘maquia’, mas as castanhas dão para isso e para muito mais”, diz, olhando com ar de satisfação para os 40 sacos que já estão cheios.

“Este é o nosso ouro e o que nos dá rendimento”, realça.

A castanha é o “ouro” dos agricultores de Montenegro e também de quem, nesta época, se dedica à apanha do fruto e ganha em média 50 euros por dia.

Maria Alice, 32 anos, já correu alguns soutos e já tem uns dias de trabalho. Ainda não fez as contas de quanto vai ganhar no final da campanha, mas sabe bem que “este dinheirinho vai ajudar nas despesas com os dois filhos que andam na escola” e ainda vai dar para “guardar algum para alguma necessidade que bata à porta”.

Castanha em quantidade e com qualidade

Na zona da Padrela, onde muitas famílias têm na castanha a principal fonte de rendimento, perspectiva-se uma “boa campanha” este ano.

A produção vai rondar “entre as oito mil e as 10 mil toneladas”, o “calibre é grande” e a “qualidade boa”, revela o presidente da Associação Regional de Agricultura das Terras de Montenegro (ARATM), Filipe Pereira.

O responsável refere que a seca sentida neste Verão não afectou a produção, mas afectou algumas árvores que acabaram por secar.

A produção máxima em “Terras de Montenegro” é de 12 mil toneladas – 90% vão para o estrangeiro. A maior fatia segue para o Brasil, seguido da França, de Itália, Espanha, Canadá e Estados Unidos.

“E mais houvesse, mais seria para exportar”, diz o presidente dos agricultores, ressalvando que “o mercado nacional, em especial de Lisboa, não dispensa a nossa castanha”.

“É o nosso ouro há vários anos e esperamos que assim continue”, diz à Renascença o presidente da Câmara de Valpaços, Amílcar Almeida, revelando que o sector da castanha “representa cerca de 45 a 50 milhões de euros de volume de negócio”.

O produto tem “venda assegurada, cria emprego sazonal e está a atrair também novos produtores à terra”, frisa o autarca.

“Verificamos que tem havido uma grande aposta em novas plantações, os jovens têm procurado aumentar as suas plantações e outros têm comprado e estão a fixar-se nesta terra”.

A Serra da Padrela e as zonas envolventes são um dos principais centros de produção de castanha de Portugal, onde se pode encontrar a maior mancha contínua de castanheiros de toda a Península Ibérica.

Feira da castanha, trampolim para outros negócios

Para ajudar a promover e divulgar este sector, foi lançada há duas décadas a Feira da Castanha de Carrazedo de Montenegro – Castmonte, na área de produção da denominação de Origem Protegida (DOP) da Padrela. A edição deste ano realiza-se entre os dias 4 a 6 de Novembro.

“A feira tem ajudado na concretização de negócios. É um trampolim”, diz Filipe Pereira, presidente da Associação Regional de Agricultura das Terras de Montenegro.

O certame serve também de montra a outros produtos do concelho de Valpaços, onde o sector primário representa cerca de 100 milhões de euros por ano, com destaque para a castanha, o azeite e o vinho.

“Se temos potencialidades e se tivemos a bênção de Deus para ter um concelho recheado de produtos de qualidade, temos de fazer tudo no sentido de continuar a fazer com que esses mesmos produtos consigam vingar em sede de mercado e possamos levá-los à mesa de quem vive no país, mas também lá fora”, conclui o autarca Amílcar Almeida.

A Feira da Castanha vai ter cerca de 70 stands de venda de castanha, de vinho, azeite, mel, licores e artesanato. A principal atracção continua a ser o bolo de castanha, com 600 a 700 quilos.

Fonte: Rádio Renascença

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