Jovens agricultores precisam de “previsibilidade”

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Foi no passado dia 25 de novembro que a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) reuniu na Madeira algumas das figuras mais importantes da agricultura nacional. No âmbito da Conferência Jovem Agricultor foram discutidos alguns dos temas de maior relevo para o setor.

Com um contributo de 20% no VAB da Agricultura, os jovens agricultores nacionais têm apenas um peso de 2% na população ativa do setor, a percentagem mais baixa da União Europeia e razão pela qual ficou patente que é preciso aumentar os incentivos para que mais jovens se queiram dedicar á agricultura.

Gabriela Freitas, ex-gestora do PRODER, e uma das oradoras que marcou presença na iniciativa, explicou que “os jovens agricultores precisam de ter no Governo um parceiro previsível, que canalize verbas para a tesouraria das empresas, porque não há investimento sem gestão de expectativas, ou seja, previsibilidade”.

Para Gabriela Freitas, o setor deu um salto qualitativo e está num novo patamar de exigência, mas continua a defrontar-se com fragilidades ao nível da tesouraria e da capacidade de gestão das empresas.

Já Marques Mendes, do PSD, afirmou que a agricultura é hoje “um setor em alta e com futuro e não apenas uma moda”, explicando que a crise alimentar de 2008 ajudou a criar um novo olhar sobre a agricultura, que voltou a estar na agenda política e social em Portugal.

O Diretor-Geral da AJAP, Firmino Cordeiro, referiu por sua vez que a agricultura é “uma atividade que exige investimentos avultados, com retornos mais ou menos longos, que precisa de quadros legislativos e de apoio ao investimento estáveis, que inclusive possam ultrapassar os ciclos políticos”.

De acordo com a AJAP, “a aposta na formação e qualificação das novas gerações é essencial”, sendo por isso “necessário assegurar que os futuros agricultores permaneçam na atividade, agindo, para diminuir a elevada taxa de insucesso de muitos projetos de investimento, por falta de acompanhamento adequado aos jovens empreendedores. Este acompanhamento deve comtemplar a definição de planos de longo prazo para os seus projetos, de forma a reduzir o encerramento das novas empresas agrícolas a níveis aceitáveis.”

Por outro lado, João Machado, presidente da CAP, recordou que a Política Agrícola Comum (PAC) gasta apenas 1% do seu orçamento com a Agricultura, quando os agricultores prestam um serviço inestimável aos cidadãos europeus, garantindo alimentos seguros e de qualidade, a um preço acessível.

“Temos que lutar por mais Europa, por regras e políticas de tratados de comércio internacional mais coerentes com o que defendemos enquanto europeus – ambiente, bem-estar animal, segurança alimentar”, defendeu.

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