Industriais de aves alertam para rotulagem fraudulenta nos frangos

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Granja de frangos Foto: JosŽ Adair Gomercindo-SECS

O presidente da associação nacional que representa a indústria das aves (ANCAVE) alertou hoje para a presença de produtos com rótulos adulterados, apelando às autoridades sanitárias para que estejam “muito atentas” à rotulagem.

“É preciso que as nossas autoridades estejam muito atentas para que os nossos consumidores não sejam enganados, pensando que estão a consumir um produto português ou europeu e afinal estão a consumir um produto de países terceiros, em que não foram respeitadas as regras de bem-estar animal, de alimentação” definidas pela União Europeia, apelou Avelino Gaspar, à margem da Assembleia Geral da AVEC (associação que representa o setor europeu da produção e comércio de aves).

O responsável da ANCAVE (Associação Nacional dos Centros de Abate de Aves e Indústrias Transformadoras de Carne de Aves) considerou que se trata de uma “concorrência desigual” e afirmou que existem à venda em Portugal produtos “mal rotulados”, indicando que a origem é nacional ou europeia, quando de facto não é.

São produtos que vêm da Ucrânia, por exemplo, que “produz 59 quilos de carne por metro quadrado em desrespeito total pelo bem-estar animal”, mas também de grandes países produtores como os Estados Unidos, Brasil ou Tailândia.

Avelino Gaspar explicou que a carne entra na Europa normalmente por via marítima — sendo a rotulagem fiscalizada nesta altura — mas é posteriormente distribuída por ‘traders’ pelos diferentes países europeus, num percurso que não é totalmente acompanhado.

No entanto, não é fácil para o consumidor reconhecer a diferença.

“Nós conhecemos e vemos que nem sempre respeitam as regras, mas não é fácil para o consumidor comum” porque implica recorrer a análises laboratoriais que avaliam o teor de água e os microrganismos, por exemplo.

Portugal tem atualmente o maior consumo ‘per capita’ de frango da Europa (29 quilos anuais, contra uma média europeia de 23 quilos) e a indústria nacional já é excedentária neste tipo de produto, exportando cerca de 10% do que produz.

No que diz respeito ao produto em fresco, os frangos nacionais são consumidos em Espanha, França, Luxemburgo, Suíça e Reino Unido, enquanto o produto congelado chega “ao mundo inteiro”.

Avelino Gaspar lamenta apenas que “por enquanto” não se consiga chegar aos mercados asiáticos, exceto no caso do Japão.

Avelino Gaspar garante que “o setor é competitivo e está bem capitalizado”, apesar dos desafios da concorrência externa e de dificuldades internas, como os prazos de licenciamento das explorações.

“Em média, gastamos mais de 3 anos a conseguir obter uma autorização para laborarmos”, salientou o responsável da ANCAVE.

Fonte: Sapo.pt

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