Agricultores continuam a querer investir mas aprovação de projetos demora mais

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O ritmo de aprovações de projetos de investimento agrícola diminuiu no último ano, disse o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) à Lusa, um dia antes de apresentar o 3.º Roteiro para a agricultura portuguesa.

Um ano após a transição do Governo de Pedro Passos Coelho para o executivo liderado por António Costa, e do anterior quadro comunitário de apoios PRODER para o atual Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020), João Machado considera que “as coisas não têm corrido tão bem como anteriormente”.

O presidente da CAP afirmou que “o ritmo que vinha do PRODER em termos de aprovação e pagamentos [de projetos]” não está a ser acompanhado pelo atual PDR, apesar de não faltarem projetos e intenções de investimento.

“O investimento não parou. Há pessoas a quererem investir, mas os programas têm estado fechados e por isso não há candidaturas”, destacou.

A lentidão é justificada pelo Governo, segundo João Machado, com “as condições complicadas” em que encontravam os projetos que tinham sido candidatados aos fundos comunitários e se acumularam.

O dirigente da CAP salientou que os promotores têm sentido “mais dificuldade em receber os pagamentos” e esperam mais tempo.

Em meados deste mês, o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, disse na Golegã que a taxa de execução do PDR 2020 rondava os 24% e mostrou-se empenhado em recuperar o atraso que disse ter encontrado quando entrou em funções há um ano, acrescentando que os cerca de 30.000 projetos que foram entrando nos sucessivos avisos de abertura dos concursos devem estar regularizados “até ao final do primeiro trimestre” de 2017.

O 3.º Roteiro conclui na terça-feira o ciclo de conferências promovido pela CAP e é subordinado ao tema ‘Visão 2020-Agricultura Portuguesa’.

Para João Machado, os roteiros tiveram “o mérito de pôr mais gente a discutir estas matérias do que exclusivamente o setor agrícola”.

Na terça-feira vão ser apresentadas as conclusões dos roteiros anteriores e será feito um balanço sobre a evolução recente e conjuntura atual da agricultura portuguesa.

Vai ser abordada também a competitividade na perspetiva de algumas das maiores exportadoras do setor (Corticeira Amorim, Sovena, The Navigator Company, Sogrape e Sogepoc/grupo Sugal).

“São empresas que têm produção e transformação em Portugal, mas não só, e que exportam muitíssimo e pretendemos que façam um relato das condições de competitividade de Portugal em relação ao resto do mundo em termos de exportação e produção”, disse João Machado.

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