Açores recebe especialistas internacionais para debater futuro da apicultura

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Num momento em que a fileira apícola nacional vive uma conjuntura favorável, fruto do aumento da produção e do preço do mel, decorre pela primeira vez na Região Autónoma dos Açores o Fórum Nacional de Apicultura. Este sábado, 15 de Outubro, no Auditório do Ramo Grande, Praia da Vitória.
Paralelamente, a XV Feira Nacional do Mel é inaugurada amanhã, sexta-feira, pelo Secretário Regional da Agricultura e Ambiente, Luís Neto Viveiros, na Academia da Juventude e das Artes, em Angra do Heroísmo, prolongando-se até domingo. Irão decorrer workshops técnicos sobre produção de pólen e própolis, produção e processamento de ceras, e produção de cosméticos a partir de produtos da colmeia.
No XVII Fórum Nacional de Apicultura estarão em destaque questões relacionadas com a importância da apicultura para o setor agrícola, estado atual e perspetivas futuras, em Portugal e na União Europeia, o estatuto sanitário e a caraterização da apicultura nas Ilhas da Macaronésia. A investigação aplicada relacionada com méis portugueses é outro dos destaques.
A Federação Nacional de Apicultores de Portugal (FNAP), uma das promotoras do evento, considera «prioritária a intervenção das autoridades comunitárias com vista à erradicação de produtos adulterados no mercado europeu de mel», reclamando «a implementação de sistemas de rastreabilidade em todas as fases da cadeia de produção, desde a colmeia à prateleira», afirma Manuel Gonçalves, Presidente da Direção da FNAP. Esta exigência surge na sequência da divulgação de um estudo realizado nos 28 Estados-Membros da UE, na Noruega e na Suíça, segundo o qual 20% do mel analisado não corresponde à informação veiculada nos rótulos.
As abelhas desempenham um papel fundamental na manutenção da biodiversidade e são vitais para garantir a produção agrícola, uma vez que o sucesso de mais de 50% das culturas a nível mundial depende da polinização por abelhas, o que só na UE pode representar 1% do valor do setor agroalimentar, ou seja, 10,4 mil milhões de euros. «A criação e venda de abelhas para polinização de culturas agrícolas pode ser um negócio de futuro», revela Manuel Gonçalves.

Mel dos Açores tem características únicas

«O mel dos Açores tem qualidade e características únicas, resultado da flora especial destas ilhas atlânticas. Além do mel de incenso aqui produzido, uma verdadeira raridade em todo o mundo, temos também o mel de trevo branco. Ao mesmo tempo, a maior parte da produção assenta no mel multifloral», salienta Paulo Miranda da Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), entidade coorganizadora do evento.
A AAIT e a Cooperativa Agrícola da Ilha Terceira lançaram pela primeira no mercado regional, em Junho deste ano, a marca própria “M: o Nosso Mel para si”. Na colheita do final de Verão, que está agora a chegar ao mercado, a produção da cooperativa deverá atingir as 2 toneladas, oriundas dos apiários de 40 apicultores da Ilha Terceira.
Todo o mel produzido no Arquipélago não chega para assegurar o consumo dos açorianos, verdadeiros apreciadores desta iguaria. O objetivo da AAIT «é potenciar e valorizar a nossa produção, vendendo o mel a um preço justo para o produtor, através de nichos de mercado que valorizem o Mel dos Açores», acrescenta Paulo Miranda.
A produção de mel em Portugal tem vindo a crescer de forma sustentada desde 2007 e, no ano passado, atingiu o valor mais elevado desde 2000, com 11.521 toneladas, das quais 2.000 toneladas são exportadas para diversos países. Nos últimos 3 anos, foram instaladas em Portugal 52.371 novas colónias de abelhas e o número médio de colmeias por apicultor aumentou de 34 para 59.
A União Europeia é o segundo produtor mundial de mel, com uma quota de mercado de 12%, ultrapassada apenas pela China, o líder incontestável em quantidade, representando 28% da produção mundial.

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